A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro começa à meia-noite desta segunda-feira (29) com impacto previsto no transporte público da capital. Apesar da paralisação, uma decisão da Justiça determinou que pelo menos 50% da frota de ônibus municipais permaneça em circulação nos horários de maior movimento, medida que também será aplicada aos veículos do sistema BRT.
A Prefeitura do Rio informou que o BRT funcionará normalmente durante toda a segunda-feira. Em publicação nas redes sociais, a Mobi-Rio, responsável pela operação do sistema, afirmou que manterá o planejamento habitual dos dias úteis para garantir o atendimento aos mais de 630 mil passageiros transportados diariamente.
No entanto, o Sindicato dos Rodoviários apresentou uma versão diferente. A entidade informou que os motoristas do BRT irão cumprir a decisão judicial e operar com apenas 50% da frota nos horários de pico, assim como os ônibus convencionais.
O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) concedeu liminar determinando que metade da frota seja mantida em circulação durante a greve. A decisão foi assinada pela desembargadora Maria Helena Motta, que também fixou multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, tanto para o Sindicato dos Rodoviários quanto para o Rio Ônibus.
Na mesma decisão, a magistrada reconheceu a legalidade do movimento grevista, autorizando a paralisação desde que seja respeitada a operação mínima de 50% dos veículos por linha e itinerário. A Justiça também proibiu a contratação de funcionários temporários para substituir os grevistas e vedou demissões sem justa causa motivadas pela participação na greve.
As reivindicações salariais e demais pedidos da categoria ainda serão analisados posteriormente pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SEDIC).
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que o reconhecimento da legalidade da greve representa um importante avanço para os trabalhadores.
“A greve está mantida e vamos cumprir o determinado pela Justiça, que é manter 50% da frota circulando nos horários de pico, pela manhã e à noite”, declarou.
A paralisação foi confirmada após os trabalhadores rejeitarem a proposta de reajuste salarial apresentada pelas empresas de ônibus. Entre as principais reivindicações da categoria estão piso salarial de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados, R$ 4 mil para os demais condutores, tíquete-alimentação de R$ 1 mil, planos de saúde e odontológico, adoção da escala de trabalho 5×2 e o fim dos contratos temporários na Mobi-Rio, com a contratação dos profissionais pelo regime da CLT.
Enquanto o impasse nas negociações continua, a Prefeitura informou que acompanha a situação e afirmou que adotará medidas para minimizar os transtornos à população. O município também informou que solicitou à Justiça a ampliação do percentual mínimo da frota em circulação para reduzir os impactos da greve.






