Documentos e informações do próprio Rioprevidência indicam que o Governo do Estado do Rio de Janeiro já havia recuperado parte significativa dos recursos aplicados pela autarquia em operações ligadas ao Banco Master ainda durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro. Os dados mostram que, dos cerca de R$ 3 bilhões investidos, a maior parte dos valores já foi devolvida ou possui mecanismos que garantem sua recuperação.
O tema voltou ao debate após declarações do governador em exercício, Ricardo Couto, que afirmou recentemente estimar a recuperação de aproximadamente R$ 1,4 bilhão dos recursos aplicados. No entanto, informações técnicas da própria autarquia apontam que esse montante já havia retornado aos cofres públicos desde dezembro de 2025.
Fundo Arena teve resgate integral
Entre os investimentos realizados pelo Rioprevidência, o principal foi no Fundo Arena, que recebeu aportes de R$ 1,371 bilhão. Segundo informações da autarquia, todo o valor aplicado já foi resgatado. A última parcela retornou ao caixa do fundo previdenciário em dezembro de 2025. Além da devolução integral do capital, a operação registrou rendimento de aproximadamente R$ 22,6 milhões, elevando o total recuperado para cerca de R$ 1,4 bilhão.
Outros fundos têm resgate previsto
Outro investimento relevante foi realizado no Fundo Revolution, que recebeu R$ 481 milhões. De acordo com informações acompanhadas mensalmente pelo Rioprevidência, o saldo atual do fundo seria suficiente para garantir o resgate programado para agosto deste ano, inclusive com rentabilidade. Situação semelhante ocorre com o Fundo Horizonte, que recebeu aporte de R$ 10 milhões e também possui previsão de resgate nos próximos meses.
Justiça garante recuperação de R$ 970 milhões
No caso das Letras Financeiras do Banco Master, que receberam investimentos de R$ 970 milhões, a recuperação dos recursos passou a ser respaldada por decisão judicial. A 2ª Vara da Fazenda Pública determinou a retenção de valores que seriam repassados ao Banco Master e à PKL One Participações S.A. relacionados a operações de crédito consignado realizadas por servidores estaduais.
Como parte da medida, a Justiça já bloqueou R$ 206 milhões. O restante deverá ser devolvido ao Estado em parcelas sucessivas, acrescidas dos rendimentos previstos, até que o montante investido seja integralmente ressarcido. Somando os recursos já recuperados e aqueles cuja devolução está assegurada por decisões judiciais e cronogramas de resgate, o valor alcança aproximadamente R$ 2,832 bilhões.
Fundo Texas concentra maior preocupação
A principal incerteza envolvendo as aplicações está relacionada ao Fundo Texas, onde foram investidos R$ 150 milhões. Segundo informações do mercado financeiro, o fundo possui forte exposição a ações da empresa Ambipar, que enfrentou dificuldades financeiras e entrou em processo de recuperação judicial. A desvalorização dos ativos reduziu significativamente as perspectivas de recuperação integral desse investimento, tornando-o o principal ponto de atenção entre as aplicações realizadas.
Rioprevidência confirma recuperação de parte dos recursos
Em nota oficial, o Rioprevidência confirmou que cerca de R$ 1,4 bilhão já retornaram ao caixa da autarquia desde dezembro de 2025.
O órgão também reiterou que permanece válida a decisão judicial que garante a retenção dos recursos relacionados às Letras Financeiras, reforçando que a recuperação dos valores investidos continua sendo tratada como prioridade pela atual administração.
Ainda segundo o Rioprevidência, medidas seguem sendo adotadas para assegurar a devolução dos recursos públicos, mas detalhes adicionais não podem ser divulgados para evitar impactos na precificação dos ativos e comprometer a estratégia de recuperação financeira.






