MPE pede cassação de prefeito e vice de Angra dos Reis e quer tornar Fernando Jordão inelegível por oito anos

O cenário político de Angra dos Reis pode sofrer uma reviravolta nos próximos meses. O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu à Justiça a cassação dos mandatos do prefeito Cláudio Ferreti (MDB) e do vice-prefeito Rubens Rocha de Andrade, o Rubinho Metalúrgico (PP), além da declaração de inelegibilidade por oito anos do ex-prefeito Fernando Jordão (MDB).

O parecer foi apresentado pelo promotor eleitoral Daniel Marones de Gusmão Campos no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), que apura suposto abuso de poder político durante as eleições municipais de 2024. Segundo o Ministério Público, Fernando Jordão teria utilizado a estrutura da administração municipal para beneficiar a candidatura de seu aliado político e sucessor na Prefeitura.

De acordo com a investigação, pessoas ligadas ao núcleo político da gestão municipal teriam participado da produção de vídeos com depoimentos de ex-funcionários do então candidato adversário Renato Araújo (PL). A promotoria concluiu que houve uso indevido da máquina pública para influenciar o processo eleitoral e prejudicar a candidatura adversária.

O parecer também aponta a participação da empresária Gabriela Athias, sócia de uma empresa prestadora de serviços de comunicação para a Prefeitura de Angra dos Reis. Segundo o Ministério Público, ela teria atuado no recrutamento e no pagamento de pessoas que gravaram os vídeos utilizados durante a campanha eleitoral.

A investigação reuniu depoimentos, mensagens trocadas por aplicativos e laudos periciais produzidos pela Polícia Federal. Testemunhas relataram que receberam pagamentos em dinheiro para participar das gravações.

Apesar das conclusões sobre abuso de poder político, o Ministério Público entendeu que não há provas suficientes de disparos em massa dos conteúdos nem de divulgação de notícias falsas. Segundo a análise, os relatos apresentados nos vídeos correspondiam a experiências efetivamente vividas pelos participantes, embora tenham sido utilizados com finalidade eleitoral.

Para o MPE, Fernando Jordão acompanhou diretamente a estratégia de divulgação do material e teria utilizado o conteúdo em atos de campanha, além de compartilhar os vídeos em grupos privados de apoiadores.

Com base nas provas reunidas, a promotoria defende a cassação dos diplomas de Cláudio Ferreti e Rubinho Metalúrgico, por entender que ambos foram beneficiados pelas ações consideradas irregulares durante o processo eleitoral.

O caso agora será analisado pelo juiz da 147ª Zona Eleitoral de Angra dos Reis, responsável por proferir a sentença. Caso a Justiça acompanhe o entendimento do Ministério Público, os envolvidos ainda poderão recorrer da decisão nas instâncias superiores.

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