O julgamento da morte de Henry Borel entrou nesta terça-feira (2) em uma das etapas mais aguardadas e decisivas do processo. Pela primeira vez desde o início das investigações, Monique Medeiros atribuiu diretamente ao ex-companheiro, o ex-vereador Jairinho, a responsabilidade pela morte do filho de apenas 4 anos.
Durante o interrogatório realizado no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, Monique declarou aos jurados que atualmente acredita que Jairinho foi o responsável pela morte da criança.
“Hoje eu creio que foi o Jairo”, afirmou.
O depoimento ocorreu no nono dia de julgamento, considerado o mais longo realizado no estado do Rio de Janeiro nos últimos 18 anos. A sessão marca a reta final do processo que irá definir o futuro dos dois réus.
Ao longo de seu interrogatório, Monique afirmou que acredita ter sido dopada por Jairinho na noite de 8 de março de 2021, quando Henry morreu. Segundo ela, o ex-companheiro teria lhe dado um comprimido antes de dormir, fazendo com que perdesse a consciência durante a madrugada.
A ré relatou que foi acordada por Jairinho informando que o menino estava passando mal. Ao encontrar o filho, disse ter percebido que ele estava gelado e sem reação. Henry foi levado ao Hospital Barra D’Or, mas não resistiu.
Monique também detalhou episódios do relacionamento com Jairinho e relatou situações que, segundo ela, hoje são vistas sob uma nova perspectiva. A mãe de Henry mencionou o episódio conhecido como “abraço apertado”, relatado anteriormente pelo pai da criança, o vereador Leniel Borel, e afirmou que a convivência entre o filho e o então namorado começou a mudar a partir daquele momento.
Durante o depoimento, ela também afirmou ter sofrido agressões dentro do relacionamento e negou ter recebido alertas da babá Thayná Ferreira sobre supostas agressões contra Henry.
“Se eu tivesse suspeita de tortura ou agressão, eu não teria continuado nesse relacionamento”, declarou.
Com o encerramento dos interrogatórios, o julgamento avança agora para a fase dos debates finais entre acusação e defesa. Na sequência, os sete jurados decidirão se Monique Medeiros e Jairinho serão condenados ou absolvidos das acusações.
Os dois respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica.
A expectativa é de que o veredicto seja conhecido ainda nos próximos dias.






