A nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14), ampliou o cerco contra pessoas ligadas ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Entre os presos está Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, detido em Belo Horizonte durante o cumprimento de sete mandados de prisão expedidos pela Justiça.
Segundo as investigações, todos os integrantes da chamada “A Turma” passaram a ser alvo direto desta etapa da operação. O grupo é apontado pelas autoridades como uma estrutura clandestina de vigilância, intimidação e coerção criada para agir contra críticos, jornalistas e autoridades.
De acordo com os investigadores, “A Turma” funcionava como uma espécie de milícia privada ligada ao empresário Daniel Vorcaro. A estrutura teria sido utilizada para monitorar, pressionar e ameaçar pessoas consideradas adversárias dos interesses do ex-controlador do banco.
As apurações já haviam resultado, em fases anteriores da operação, nas prisões do cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, e de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Ambos são apontados como integrantes do esquema investigado.
Movimentações financeiras bilionárias
Henrique Vorcaro já estava no radar das autoridades desde o início das investigações. Segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ele presidia a Multipar, empresa que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão entre os anos de 2020 e 2025.
Ainda de acordo com o Coaf, todas as movimentações identificadas ocorreram exclusivamente entre contas ligadas ao dono do Banco Master. O relatório aponta suspeitas de que as operações possam ter sido usadas para ocultação patrimonial e blindagem de bens.
Os investigadores sustentam que os repasses financeiros e a atuação da empresa reforçam a suspeita de participação direta de Henrique Vorcaro nas fraudes investigadas.
Estrutura de intimidação
A investigação aponta que o grupo atuava de maneira organizada para monitorar pessoas consideradas obstáculos aos interesses de Daniel Vorcaro. A suspeita é de que os integrantes utilizassem métodos de pressão psicológica, ameaças e ações de vigilância para intimidar alvos específicos.
A operação Compliance Zero é tratada pelas autoridades como uma das principais ofensivas recentes contra estruturas privadas de intimidação associadas ao setor empresarial e financeiro. Com o avanço das apurações, a expectativa é de novas medidas cautelares, além de quebras de sigilo bancário e fiscal para aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras atribuídas ao grupo.






