A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) pode estudar a possibilidade de destinar recursos para apoiar a continuidade da pesquisa liderada pela cientista Tatiana Sampaio, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. O tema surgiu durante sessão plenária realizada na quinta-feira (5), quando os deputados aprovaram a concessão do Título Benemérito à pesquisadora.
Tatiana é responsável pelo desenvolvimento da Polilaminina, substância que vem sendo estudada por seu potencial de estimular a regeneração de neurônios e circuitos nervosos em pacientes com lesões na medula espinhal.
A sugestão de apoio financeiro partiu da deputada Tia Ju (Republicanos). Segundo a parlamentar, a ideia é avaliar se parte do duodécimo devolvido pela Alerj ao final do ano poderia ser utilizada para contribuir com a continuidade da pesquisa ou com a proteção da patente relacionada à descoberta.
Debate entre parlamentares
Durante a discussão em plenário, Tia Ju afirmou que pretende levar a proposta ao presidente em exercício da Casa, o deputado Guilherme Delaroli (PL), para verificar a viabilidade da iniciativa. A deputada também pediu ao parlamentar Luiz Paulo (PSD) que avalie, sob o ponto de vista regimental, se existe possibilidade legal de formalizar esse tipo de repasse.
A ideia recebeu apoio de outros deputados. Carlos Minc (PSB) afirmou que considera a proposta positiva e destacou que o investimento necessário para ajudar na continuidade do estudo não seria elevado. Já Renata Souza (PSOL) também manifestou apoio, ressaltando a relevância das pesquisas desenvolvidas nas universidades públicas brasileiras.
Desafios para manter patentes
Em entrevistas recentes, Tatiana Sampaio relatou que a pesquisa enfrentou dificuldades ao longo dos anos para manter a proteção internacional da patente da polilaminina. Segundo ela, o primeiro pedido de patente no Brasil foi feito em 2007, mas o registro só foi concedido em 2025.
A cientista também explicou que a primeira tentativa de patente internacional acabou sendo interrompida após cortes de orçamento que atingiram a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialmente entre 2015 e 2016, o que comprometeu o pagamento das taxas necessárias para manter o processo ativo.
Posteriormente, uma avaliação técnica indicou que havia incertezas quanto à concessão da patente em mercados como Estados Unidos e Europa, levando a universidade a suspender os pagamentos relacionados ao processo.
Parceria com indústria farmacêutica
Em 2021, o Laboratório Cristália firmou um acordo de parceria e licenciamento da tecnologia com a Inova UFRJ, agência responsável pela gestão da inovação dentro da universidade.
A partir desse acordo, a empresa passou a conduzir os avanços tecnológicos da pesquisa e também os processos de proteção das patentes. Em 2022, foi solicitado um novo pedido de patente nacional e, no ano seguinte, uma solicitação internacional — ambos ainda em fase de análise.
A eventual participação financeira da Alerj no projeto, no entanto, ainda depende de estudos internos da Casa e de autorização da presidência do Parlamento.






