Lula recebeu Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em reunião fora da agenda oficial

Uma reunião realizada fora da agenda oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em dezembro de 2024, voltou ao centro do debate político após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central. O encontro, que ocorreu no Palácio do Planalto, reuniu Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira, meses antes de o BC apontar uma fraude de R$ 12 bilhões e decretar o fim do banco.

A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo site Poder360. Segundo a apuração, Lula recebeu Vorcaro no dia 4 de dezembro de 2024, logo após uma audiência formal registrada na agenda oficial do chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, um dos assessores mais próximos do presidente.

Na agenda pública de Marcola, consta apenas uma reunião realizada em 27 de dezembro de 2024, tendo como único participante privado o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, listado como representante de interesse próprio. Não há qualquer menção oficial à presença de Daniel Vorcaro ou a um encontro posterior com o presidente da República.

De acordo com o Poder360, Mantega compareceu à audiência acompanhado de Vorcaro e, ao final da conversa prevista, ambos solicitaram uma reunião direta com Lula. O presidente aceitou e os recebeu em seguida em seu gabinete. Apesar de ter ocorrido dentro do Planalto e contar com a presença de ministros, o encontro não foi registrado nos compromissos oficiais da Presidência.

Além de Lula, participaram da reunião Daniel Vorcaro; Guido Mantega; Rui Costa, ministro da Casa Civil; Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia; Gabriel Galípolo, então indicado à presidência do Banco Central; e Augusto Lima, então CEO do Banco Master.

Durante a conversa, Vorcaro teria apresentado críticas à concentração do sistema bancário brasileiro e à atuação dos grandes bancos no mercado financeiro. Lula, segundo a apuração, respondeu que o tema não era de competência direta do governo federal e que caberia ao Banco Central tratar do assunto. O presidente reforçou que questões dessa natureza deveriam ser analisadas de forma técnica e isenta pela autoridade monetária.

Ainda conforme o relato, Lula solicitou a Gabriel Galípolo que acompanhasse as queixas apresentadas, seguindo critérios “técnicos e isentos”. Galípolo assumiu oficialmente a presidência do Banco Central em 1º de janeiro de 2025.

Meses depois, já sob o comando de Galípolo, o Banco Central rejeitou a venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília) e decretou a liquidação da instituição, apontando uma fraude estimada em R$ 12 bilhões. Procurados, o Banco Central e a defesa de Daniel Vorcaro informaram que não comentam casos específicos. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) não explicou por que a reunião não foi registrada na agenda oficial.

O Poder360 também tentou contato com os ministros Rui Costa e Alexandre Silveira e com o ex-ministro Guido Mantega, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. Augusto Lima, então CEO do banco, não foi localizado.

O presidente Lula só passou a comentar publicamente o caso do Banco Master em janeiro de 2026, após a liquidação da instituição. Em evento realizado em Maceió (AL), na sexta-feira (23/01), o petista afirmou que “falta vergonha na cara” de quem defende o banqueiro Daniel Vorcaro e reiterou que o governo não interfere nas decisões do Banco Central. A declaração marcou a primeira manifestação direta do presidente sobre o banco desde o avanço das investigações.

Antes disso, Lula vinha evitando tratar do tema em público, enquanto integrantes do governo sustentavam que o caso deveria ser conduzido exclusivamente pelo Banco Central, sem interferência política.

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