Ano eleitoral deve provocar ampla reforma nos governos do estado e da capital

RIO – O calendário eleitoral de 2026 deve provocar uma das maiores reformulações recentes no primeiro escalão do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Prefeitura da capital. Com as prováveis renúncias do governador Cláudio Castro (PL), que pretende disputar o Senado, e do prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao Palácio Guanabara, a expectativa é de mudanças profundas nas duas administrações.

No governo estadual, até 16 secretarias podem trocar de comando, o equivalente à metade da estrutura administrativa. Já na Prefeitura do Rio, a previsão é de ao menos dez mudanças no secretariado. As alterações seguem o rito imposto pela legislação eleitoral, que obriga ocupantes de cargos de ordenador de despesas a deixarem as funções caso não concorram à reeleição.

Com a renúncia de Eduardo Paes, o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) assumirá oficialmente a Prefeitura do Rio. Nos bastidores, Cavaliere já vem concentrando decisões estratégicas e presidiu a última reunião orçamentária com os secretários municipais, sinalizando uma transição gradual de comando.

No âmbito estadual, a saída de Cláudio Castro abrirá caminho para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa (Alerj), que deverá definir o governador-tampão até dezembro. O pleito precisa ser realizado em até 30 dias após a renúncia. Inicialmente favorito, o então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União), saiu do páreo após ser preso e afastado do cargo, tornando o resultado imprevisível.

Castro indicou o atual secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, para assumir o mandato tampão, mas outros nomes também circulam entre os deputados. Estão no radar o secretário de Cidades Douglas Ruas (PL), o presidente interino da Alerj Guilherme Delarolli (PL) e o secretário nacional de Assuntos Parlamentares André Ceciliano (PT).

Antes mesmo da eleição indireta, o governador deve promover mudanças políticas em seu secretariado. Dois nomes ligados a Rodrigo Bacellar devem deixar o governo após o rompimento entre os dois, ocorrido em julho do ano passado. A secretária de Educação, Roberta Barreto, pode ser substituída por Luciana Martins Calaça, presidente da Fundação Leão XIII. A Educação havia sido uma das pastas negociadas por Bacellar após sua eleição para a presidência da Alerj, em 2023.

Em nota, no entanto, Roberta Barreto negou qualquer reformulação iminente. Segundo ela, “não procede a informação de que a atual gestão deverá passar por uma ampla reformulação em sua estrutura de comando nos próximos dias”.

Outro secretário ligado a Bacellar que deve deixar o Palácio Laranjeiras é André Moura, atual secretário de Governo. Sergipano, ele pretende disputar o Senado por seu estado e precisará se descompatibilizar do cargo. Diferentemente de outros casos, Moura não indicará seu sucessor, que deve ser definido em negociação com a base governista da Alerj.

Há ainda indefinição sobre o futuro de dois nomes estratégicos da segurança pública. O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, e o chefe da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, são cortejados pelo PL para disputar vagas de deputado estadual e federal, respectivamente. Mesmo sem decisão final, o governo já avalia possíveis substitutos.

Na Prefeitura do Rio, a transição tende a ser mais administrativa do que política. Cavaliere deve assumir definitivamente em 20 de março e poderá promover ajustes no primeiro escalão, mas sem alterar o equilíbrio de forças da base aliada. Duas vereadoras que hoje ocupam cargos estratégicos devem deixar o Executivo para disputar eleições em 2026: Joyce Trindade (PSD), secretária da Mulher, tentará uma vaga na Alerj, enquanto Tatiana Roque (PSB) mira a Câmara dos Deputados.

Outros três secretários municipais também se preparam para a disputa eleitoral em busca da reeleição em Brasília: Renan Ferreirinha (PSD), da Educação; Daniel Soranz (PSD), da Saúde; e Marcelo Queiroz (PP), da Administração. A movimentação reforça o impacto do ano eleitoral sobre as estruturas de poder no estado e na capital fluminense.

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