Câmara de Itaguaí instaura CPI e abre processo de cassação contra prefeito “Doutor Rubão”

A Câmara Municipal de Itaguaí decidiu, na sessão legislativa de quinta-feira (3 de julho de 2025), abrir um processo de cassação do prefeito Rubem Vieira, o “Doutor Rubão” (Podemos), menos de três semanas após sua posse oficial, em meio a uma crise política que agrava a instabilidade no município.

CPI investiga suposto desvio de R$ 60 milhões

A decisão foi tomada após a apresentação de uma denúncia por Sueli Pereira da Costa, ex‐servidora da prefeitura, que acusa a administração municipal de desvios — da ordem de R$ 60 milhões — em contratos de limpeza urbana (incluindo serviços de limpeza e desassoreamento de córregos, valas e canais) sem a efetiva prestação dos serviços. A denúncia também foi encaminhada ao Ministério Público, sendo considerada “sem materialidade”.

Defesa do prefeito: “tudo legal, decisão política”

Rubão repudiou as acusações, afirmando que os contratos em questão já haviam sido firmados antes de sua gestão e foram renovados por licitação eletrônica, com menor preço e aval do Tribunal de Contas. Ele descreveu o processo como uma “tentativa de golpe político”, e acusou vereadores, principalmente o presidente da Câmara, Haroldinho, de tentarem retomar o poder por meio do Legislativo.

Instabilidade política recente

A crise política em Itaguaí já se desenrola há meses. No início de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) suspendeu a posse de Rubão sob a alegação de que sua nova eleição representava um terceiro mandato consecutivo, o que é vedado pela Constituição. Como resultado, o vereador Haroldinho assumiu como prefeito interino durante quase todo esse período.

Em 30 de junho, o ministro do STF Luis Roberto Barroso negou liminar da Câmara que buscava impedir Rubão de reassumir, argumentando que o caso estava sendo analisado pelo TSE. Dias depois, no dia 5 de julho, uma liminar do ministro Dias Toffoli permitiu a retomada do cargo, embora em caráter provisório, até decisão definitiva do TSE.

👥 O que vem pela frente

Agora, com a CPI instaurada pela Câmara, será apurado em detalhes o contrato de limpeza urbana. Se confirmado o desvio e comprovada a ocorrência de improbidade, Rubão pode ser cassado. Neste cenário, assumiria o vice‐prefeito Fernando Júnior (Republicanos), conhecido como “Júnior do Sítio” — o terceiro chefe do Executivo em Itaguaí neste ano.

Por sua vez, a Câmara, por meio de seu presidente Haroldinho, afirma que o processo segue as normas legais: “a denúncia é contra o prefeito, não contra a chapa. Se houver cassação, quem assume é o vice. Não há benefício direto a nenhum vereador. A Câmara está apenas cumprindo seu papel de fiscalização”.

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