Resultados financeiros da Apple decepcionam e preço dos iPhones pode cair

Depois de deixar seus acionistas preocupados no final do ano passado ao fazer um corte histórico nas suas expectativas de vendas para o primeiro trimestre fiscal de 2019 (composto pelo período entre outubro e dezembro de 2018), a Apple revelou em seu relatório final do período a arrecadação de U$ 84,3 bilhões em rendimentos, um valor dentro da faixa esperada pelos analistas depois do anúncio da diminuição das expectativas. Ainda assim, o valor preocupa por mostrar uma queda em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a Maçã fechou com uma receita de U$ 88,3 bilhões.

De acordo com o relatório, U$ 51,98 bilhões deste valor foram provenientes da venda de iPhones, U$ 7,41 bilhões da venda de Macs, U$ 6,72 bilhões da venda de iPads, U$ 10,78 bilhões provenientes de serviços fornecidos pela Apple e U$ 7,30 bilhões das vendas de acessórios e vestíveis da empresa.

Mas, ainda que as vendas da companhia tenham sido menores do que o esperadas — quando da divulgação do relatório do trimestre anterior, a expectativa inicial para este era de um rendimento entre U$ 89 bilhões e U$ 93 bilhões —, ao menos há uma notícia positiva: o número de usuários de iPhones continuou em crescimento, atingindo o marco de 1,4 bilhão de usuários (no começo de 2018, esse número era de 1,3 bilhão).

Apesar do aumento da base de usuários, as receitas obtidas com a venda de iPhones foram as únicas que sofreram quedas em relação ao mesmo período do ano passado (passando de U$ 61,10 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2018 para U$ 51,98 bilhões em 2019), e todas as outras divisões da empresa (iPads, Macs, acessórios, vestíveis e serviços) tiveram um pequeno aumento das receitas em relação ao ano passado. A principal justificativa para essa queda nas vendas do iPhone é, além da crise econômica na China que atingiu toda a indústria de tecnologia, o fato de a linha mais recente de iPhones não ter trazido tantas novidades como de costume, e a empresa culpa o programa de troca de baterias com desconto para iPhones mais antigos como o principal causador dessa “falta de novidades”.

Essa queda dos iPhones em comparação às outras divisões da empresa é bastante notável: enquanto todos os outros serviços tiveram um crescimento médio combinado de 19% em comparação com o mesmo período do ano passado, a venda de iPhones caiu em 15%. Os maiores crescimentos foram no setor de vestíveis e acessórios, que cresceu 33% em comparação ao mesmo período do ano passado, além da parte de serviços (19%) e das vendas de iPads (17%).

Revisão da política de preços

Apesar de não culpar diretamente os altos preços dos novos iPhones pela queda das vendas, é notável que os preços baseados em dólar têm feito a companhia perder terreno em países emergentes (como o Brasil) e em mercados em crise (como a China em 2018), pois com a desvalorização da moeda local em relação ao dólar, os aparelhos da empresa (que já não são baratos) se tornam ainda mais caros.

Assim, essa queda na venda de iPhones pode ser uma boa notícia para o consumidor brasileiro, pois Tim Cook afirmou em entrevista para a Reuters que a empresa pretende começar a estudar os mercados internacionais de modo específico e lançar seus produtos a preços que estejam de acordo com as particularidades de cada um deles, ao invés de simplesmente fazer a conversão do dólar. Com isso, é esperado um aumento no número de iPhones vendidos nessas regiões após a revisão dos valores no varejo local.

Contudo, apesar da possível boa notícia para o consumidor, essa mudança nos preços não deve acontecer tão cedo, já que a expectativa da Apple para o seu segundo trimestre fiscal é de mais uma queda nas vendas e nas margens de lucro da empresa, avaliando que deve fechar o próximo período (entre janeiro e março de 2019) com receita entre U$ 55 bilhões e U$ 59 bilhões (pouco abaixo dos U$ 61 bilhões obtidos no mesmo período em 2018) e com uma margem de lucro entre 37% e 38% (também ligeiramente abaixo dos 38,5% usuais), informação que deverá refletir na queda do valor das ações da empresa nos próximos dias.

Fonte: Venture Beat, The Verge, TechCrunch

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