A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. A empresa também fechou 298 lojas e reduziu o quadro de funcionários em meio ao agravamento da crise financeira.
Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a varejista afirmou que a decisão foi motivada pela deterioração das condições financeiras e pelo cenário econômico, marcado por juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros, pressão sobre o consumo e dificuldades para manter o capital de giro. A empresa também citou o fracasso de alternativas de liquidez que estavam sendo negociadas.
O setor de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos é diretamente afetado pelas condições de crédito, já que grande parte das compras depende de parcelamentos e financiamentos. Com os juros elevados, a empresa passou a enfrentar maior dificuldade para manter as vendas e equilibrar suas contas.
A Casas Bahia já havia passado por uma reestruturação financeira em 2024, quando iniciou uma recuperação extrajudicial envolvendo R$ 4,1 bilhões em dívidas. O procedimento foi encerrado cerca de três meses depois. Agora, a recuperação judicial será conduzida sob supervisão da Justiça e permitirá que a companhia negocie suas dívidas enquanto mantém as operações.
A crise ocorre após uma mudança no controle acionário. Em agosto de 2025, a gestora Mapa Capital assumiu 85,5% do capital da empresa e passou a ser sua principal acionista, em um período marcado por cortes de despesas e redução da estrutura física.
Outro indicador da situação financeira é a diferença entre o prejuízo e o valor da empresa na Bolsa. Enquanto a Casas Bahia acumulou perdas de R$ 10,1 bilhões apenas no segundo trimestre, seu valor de mercado está estimado em cerca de R$ 660 milhões. A dívida líquida da companhia terminou junho em aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
O pedido de recuperação judicial não significa o encerramento imediato das atividades. A empresa continuará funcionando enquanto busca reorganizar suas obrigações e negociar condições de pagamento com os credores.






