Enxurrada de exonerações de Ricardo Couto já provoca debate sobre legado e futuro do próximo governo do Rio

A rápida passagem de Ricardo Couto pelo comando do Palácio Guanabara começa a ganhar uma marca própria: a ampla reformulação da máquina estadual. Em poucas semanas no cargo, o governador em exercício já acumula 2.509 exonerações, num movimento que vem mexendo profundamente na estrutura administrativa do Estado do Rio.

Só nesta segunda-feira (18), mais 202 desligamentos foram publicados no Diário Oficial. A maior parte das exonerações foi assinada pelo secretário da Casa Civil, Flávio Willeman, dentro da auditoria administrativa determinada por Couto após assumir o governo com a saída de Cláudio Castro.

Oficialmente, o discurso do governo é de reorganização administrativa, revisão de contratos e redução de despesas. Mas nos bastidores políticos, a leitura já começa a ser outra: Ricardo Couto estaria tentando imprimir uma identidade própria à sua curta gestão e deixar uma estrutura muito diferente daquela herdada do governo anterior.

Os cortes atingem justamente áreas estratégicas da administração estadual. Secretarias como Agricultura, Fazenda e Saúde aparecem entre as mais afetadas. Autarquias importantes, como Detran-RJ, Rioprevidência, Fundação Saúde, Inea e Procon-RJ, também entraram no pente-fino.

A movimentação acelerada chama atenção porque vai além de uma simples troca de cargos. Integrantes da política fluminense já enxergam uma tentativa de redesenhar o funcionamento interno do governo estadual antes da chegada do próximo ocupante definitivo do Palácio Guanabara.

E é justamente aí que surge a principal dúvida nos bastidores: o futuro governador vai manter essa estrutura mais enxuta deixada por Ricardo Couto ou promover uma nova ocupação política da máquina pública?

A pergunta ganha ainda mais peso diante da corrida política que começa a se formar no estado. Hoje, nomes como o prefeito Eduardo Paes e o presidente da Alerj Douglas Ruas aparecem entre os mais fortes nas articulações para o futuro político do Rio.

Se um deles assumir o governo mais à frente, encontrará espaço para novas indicações políticas ou herdará uma administração já reorganizada e com menos margem para acomodação partidária?

Nos corredores da Alerj, há quem avalie que Ricardo Couto tenta construir a imagem de um gestor técnico, disposto a desmontar estruturas consideradas excessivamente politizadas dentro do estado. Outros enxergam uma espécie de “limpeza administrativa” que pode acabar limitando o espaço de influência do próximo governo.

A reorganização também acontece em meio a um cenário delicado nas contas públicas e após desgastes provocados por investigações recentes envolvendo setores estratégicos do governo estadual.

Na prática, Ricardo Couto pode estar fazendo mais do que apenas administrar uma transição. A sucessão de exonerações já começa a levantar uma discussão política importante: seu governo interino será lembrado apenas como uma passagem temporária ou como o período que redefiniu o tamanho e o funcionamento da máquina estadual?

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