As movimentações políticas para a escolha do próximo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ganharam força nos bastidores, às vésperas da homologação da retotalização de votos pelo Tribunal Regional Eleitoral, prevista para a próxima terça-feira.
De um lado, aliados do ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, trabalham para consolidar uma base com partidos de centro e esquerda. A estratégia passa por uma aproximação com o PSOL, numa tentativa de alcançar os 36 votos necessários para garantir o comando da Casa. O PSD chega mais robusto a esse momento, após ampliar sua bancada de seis para dez deputados durante a janela partidária.
Apesar das conversas, o PSOL tem adotado uma postura mais rígida. A legenda condiciona o apoio à formação de uma frente mais ampla e à escolha de um nome que esteja alinhado politicamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como representante do bloco.
O cenário de negociações ficou mais tenso quando o grupo ligado a Paes passou a cogitar nomes como André Corrêa, recém-filiado ao PSD, e Rosenverg Reis, para a presidência da Alerj. Rosenverg é irmão de Jane Reis, que integra a chapa de Paes nas eleições municipais, o que adiciona um componente político-eleitoral às articulações.
No campo da direita, o principal nome segue sendo o deputado Douglas Ruas, do PL. Ele chegou a ser eleito presidente da Alerj em março, mas a votação foi anulada pela Justiça. Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, Ruas conta com o apoio do ex-governador Cláudio Castro e obteve cerca de 176 mil votos nas eleições de 2022.
Mesmo com o favoritismo de Ruas, o PL avalia alternativas. Uma das possibilidades é a manutenção de Guilherme Delaroli, atual presidente interino da Casa. A chamada “continuidade administrativa” é vista por aliados como uma forma de evitar mudanças bruscas na condução do Legislativo e permitir que Ruas concentre esforços na disputa eleitoral de outubro.
Com interesses distintos e negociações ainda em aberto, a definição do comando da Alerj promete ser marcada por intensas articulações políticas nos próximos dias.






