O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro solicitou à Justiça, nesta sexta-feira (10), a saída imediata de Nicholas Cardoso da presidência interina do Rioprevidência. Além do afastamento, o órgão pediu o bloqueio de aproximadamente R$ 1 bilhão em bens ligados ao gestor, ao ex-presidente Deivis Marcon Antunes, ao Banco Master e à empresa PKL One.
A iniciativa faz parte de uma investigação que apura investimentos considerados irregulares realizados pela autarquia. De acordo com o Ministério Público, cerca de R$ 118 milhões foram aplicados, no fim de 2025, em fundos que não possuíam o credenciamento exigido pelas normas do Conselho Monetário Nacional.
Na época das operações, Nicholas Cardoso ocupava o cargo de diretor de investimentos do fundo. Relatórios internos já indicavam possíveis falhas no cumprimento de regras e riscos na gestão dos recursos.
Risco ao fundo
Para o MPRJ, a permanência de Cardoso no comando do Rioprevidência pode comprometer a segurança financeira do sistema previdenciário estadual. A preocupação é ampliada pelo histórico recente envolvendo o Banco Master, que entrou em processo de liquidação após receber aportes que chegaram perto de R$ 1 bilhão do fundo.
Os promotores destacam que o processo de credenciamento de instituições financeiras é uma etapa fundamental para garantir segurança nas aplicações e evitar prejuízos ao patrimônio público.
Contexto da investigação
Nicholas Cardoso assumiu o comando interino após a prisão de Deivis Antunes, realizada pela Polícia Federal em fevereiro. A investigação segue analisando a condução dos investimentos e possíveis responsabilidades.
O valor total que o Ministério Público quer indisponibilizar reúne os recursos aplicados no Banco Master e os novos aportes sob suspeita.
Defesa do Rioprevidência
Em nota, o Rioprevidência informou que ainda não foi oficialmente notificado sobre o pedido de afastamento e classificou a medida como desproporcional.
A autarquia sustenta que os R$ 118 milhões investigados não pertencem diretamente ao fundo previdenciário, mas a recursos administrativos, o que, segundo o órgão, afastaria a obrigatoriedade de seguir as mesmas regras aplicadas às reservas de benefícios.
O fundo também afirma que os investimentos foram realizados com baixo risco e que medidas de controle já estavam sendo adotadas internamente.






