O fim da janela partidária, na última sexta-feira (03), deixou marcas claras no cenário político do Rio. Em meio à proximidade das eleições de 2026, deputados estaduais e federais aproveitaram o período para trocar de legenda, provocando mudanças relevantes no tamanho e na influência das bancadas.
Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, foram registradas 17 novas filiações. Já na Câmara dos Deputados, nove parlamentares mudaram de partido. O resultado é um novo desenho político que começa a indicar quais siglas chegam mais fortalecidas para a disputa.
Entre os principais beneficiados estão PL e PSD. Mesmo com ajustes internos, os dois partidos ampliaram espaço e passaram a ocupar posições estratégicas no tabuleiro eleitoral fluminense.
O PL, associado ao deputado Douglas Ruas, consolidou a maior bancada da Alerj, saltando para 23 parlamentares. A leitura dentro da legenda é de que o crescimento acompanha a força nacional do partido e o alinhamento com lideranças conservadoras.
Já o PSD avançou de forma mais gradual, mas consistente. A sigla ligada ao prefeito Eduardo Paes chegou a nove deputados estaduais. Nos bastidores, o movimento é atribuído a uma estratégia construída ao longo dos últimos meses, com foco na formação de um grupo competitivo para as próximas eleições.
O líder do partido na Casa, Luiz Paulo, destaca que a expansão não aconteceu por acaso, mas sim como resultado de articulação política e da busca por nomes com potencial eleitoral.
Enquanto alguns avançaram, outros perderam espaço. O União Brasil foi o mais afetado na Alerj, com a saída de cinco deputados. No cenário federal, o impacto foi ainda maior, deixando a legenda com apenas um representante pelo estado, o deputado Max Lemos.
Mesmo diante das perdas, o deputado Bruno Dauaire afirmou que o momento é de reorganização e construção de uma nova base para as eleições.
Outra movimentação que chamou atenção foi a reentrada do PSDB no parlamento estadual. Sem representantes eleitos em 2022, o partido voltou à Alerj com a filiação de Filipe Soares. A retomada foi articulada pelo deputado federal Luciano Vieira, que tenta reposicionar a legenda no estado.
Além disso, partidos menores também sentiram os efeitos da janela. O PMN perdeu sua única cadeira, enquanto, em Brasília, siglas como PSB e PRTB ficaram sem representantes fluminenses.
Para especialistas, o movimento vai além do Rio e segue uma tendência nacional. A cientista política Mayra Goulart avalia que houve uma reorganização ideológica, com parlamentares mais alinhados ao bolsonarismo migrando para o PL.
Já o cientista político Geraldo Tadeu aponta que a lógica predominante é eleitoral. Segundo ele, a troca de partidos acontece principalmente pela busca de melhores condições de reeleição, mais do que por afinidade ideológica.
Com as mudanças, a Alerj passa a refletir um cenário mais competitivo e polarizado, antecipando o clima da disputa pelo governo do estado.
Como ficaram as bancadas na Alerj
Após o fechamento da janela partidária, a composição da Alerj passou por mudanças relevantes:
- PL: 23 deputados
- PSD: 9 deputados
- União Brasil: redução significativa (perdeu 5 cadeiras)
- PSDB: volta a ter representação com 1 deputado
- PMN: perdeu sua única cadeira
- Outros partidos: mantiveram ou registraram pequenas oscilações






