O governador Cláudio Castro decidiu deixar o comando do Estado antes do previsto e deve formalizar a saída ainda nesta quarta-feira (18), por meio de publicação em edição extraordinária do Diário Oficial.
A mudança de planos acontece em meio ao julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que analisa possíveis irregularidades na eleição de 2022. O processo envolve suspeitas ligadas à Fundação Ceperj e à Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Até agora, o cenário no tribunal é desfavorável ao governador: dois ministros já votaram pela cassação do mandato e pela inelegibilidade. O caso começou a ser analisado ainda em 2024, com voto da ministra Cármen Lúcia, e ganhou novo capítulo recentemente com o posicionamento do ministro Antônio Carlos Ferreira. Na sequência, o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. Ainda restam cinco votos.
A retomada da análise está marcada para o dia 24, o que acabou surpreendendo o entorno do governador — que trabalhava com a possibilidade de o tema voltar à pauta apenas nas semanas seguintes.
Decisão busca reduzir impactos políticos
Nos bastidores, a antecipação da renúncia é vista como uma tentativa de reduzir danos políticos e jurídicos. Ao deixar o cargo antes de uma eventual decisão definitiva, Castro tenta evitar ficar inelegível, o que poderia inviabilizar seus planos de disputar outros cargos, como o Senado.
Outro fator determinante é o impacto direto na sucessão estadual. Pelas regras atuais, a saída voluntária abre caminho para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, onde a base governista tem maioria.
Já uma cassação confirmada pelo TSE poderia levar à convocação de eleições diretas para um mandato-tampão, cenário considerado mais imprevisível e com risco político maior para o grupo aliado ao governador.
Transição no comando do estado
Com a saída, o governo estadual deve ser assumido de forma interina pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, até que seja definido o novo chefe do Executivo.
A decisão de antecipar a renúncia acelera o processo de transição e coloca o Rio de Janeiro em um momento decisivo, com reflexos diretos no cenário político e eleitoral do estado.






