Golpistas se passam por defensores públicos e fazem vítimas no RJ; mais de 240 casos foram registrados

Criminosos estão se passando por representantes da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro para aplicar golpes em pessoas que têm processos na Justiça. Nos últimos nove meses, o órgão já recebeu mais de 240 denúncias desse tipo de fraude.

Segundo a Defensoria, os golpistas entram em contato direto com as vítimas, geralmente por aplicativos de mensagem, utilizando dados reais dos processos judiciais para dar aparência de legitimidade. A estratégia tem como objetivo obter informações bancárias ou induzir pagamentos indevidos.

A pedagoga Cláudia Cristina do Carmo Carinhanha foi uma das vítimas. Ela aguarda desde 2016 o desfecho de uma ação judicial e, no último dia 6 de março, recebeu uma mensagem que parecia oficial. O contato trazia seu nome completo, número do processo e até a promessa de liberação de cerca de R$ 40 mil.

Durante uma videochamada, um falso defensor público detalhou o caso e afirmou que a causa já estava ganha. Em seguida, enviou um link fraudulento, supostamente da Receita Federal, para “comprovação de renda”. Ao acessar o link, Cláudia acabou permitindo o controle do celular pelos criminosos.

Em poucos minutos, foram realizadas duas transferências via Pix, totalizando mais de R$ 10 mil — valor que ela guardava para cuidar da mãe, diagnosticada com Alzheimer.

“É devastador. Eu tenho uma pessoa totalmente dependente de mim e estava juntando esse dinheiro para dar mais conforto. Hoje estou desamparada”, relatou.

O caso foi registrado na 22ª DP, e a Polícia Civil investiga a ação dos criminosos. Situações semelhantes vêm sendo registradas em diferentes cidades do estado.

De acordo com a defensora pública Luiza Amintrompiere, a frequência dos golpes tem chamado atenção. “Semanalmente recebemos de quatro a cinco denúncias. É uma quadrilha que se aproveita da publicidade dos processos judiciais para obter informações e enganar as vítimas”, explicou.

Nem todos caem no golpe. A secretária Rakel Soares de Lima desconfiou ao receber mensagens com dados do inventário da mãe. Inconsistências, como o DDD do telefone e datas incompatíveis, levantaram suspeitas e evitaram o prejuízo.

Especialistas alertam que agir rapidamente é fundamental. Segundo o advogado Luiz Augusto D’Urso, vítimas de golpes via Pix devem acionar imediatamente o Mecanismo Especial de Devolução (MED) junto ao banco e registrar ocorrência para aumentar as chances de recuperação dos valores.

A Defensoria Pública reforça que todos os seus serviços são gratuitos e que não realiza cobranças nem reuniões por videochamada. O atendimento ocorre presencialmente, por e-mail ou por aplicativo oficial.

A orientação é clara: qualquer abordagem fora desses canais deve ser tratada com desconfiança.

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