O governador Cláudio Castro (PL) se reuniu nesta segunda-feira (9), no Palácio Guanabara, com seus aliados mais próximos para tentar destravar a estratégia para a sucessão no comando do Estado do Rio. O encontro escancarou um impasse que já corre solto nos bastidores: Castro quer emplacar o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, como candidato ao mandato-tampão, enquanto o PL trabalha abertamente pelo nome do deputado estadual licenciado e atual secretário das Cidades, Douglas Ruas.
Diante da resistência interna, uma das alternativas colocadas à mesa foi drástica: a troca de partido do próprio governador. A hipótese discutida envolve a saída de Castro do PL rumo a uma sigla do Centrão, como o PP, levando junto parte de sua base política mais fiel.
Castro pretende deixar o governo até abril para disputar uma vaga no Senado. No xadrez da sucessão, o principal obstáculo ao nome de Nicola é o senador Flávio Bolsonaro, que se prepara para disputar a Presidência da República em outubro. Na avaliação do clã Bolsonaro, Douglas Ruas oferece um palanque mais robusto e alinhado aos interesses nacionais do PL.
A definição oficial deveria ocorrer em uma reunião entre Cláudio Castro, Flávio Bolsonaro e o presidente estadual do PL, Altineu Côrtes. Nos bastidores, porém, a leitura é de que Flávio e Altineu caminham para bater o martelo a favor de Douglas, mesmo sem o entusiasmo do governador.
Fortalecido nas pesquisas após a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro, Castro já chegou a dizer a interlocutores que pode até desistir da candidatura ao Senado caso não consiga fazer seu sucessor. No mundo real da política fluminense, essa possibilidade é vista com ceticismo absoluto. Entre aliados e adversários, ninguém compra essa ideia — nem de longe.






