A sucessão no governo do Estado do Rio de Janeiro, mesmo que temporária, já movimenta intensamente os bastidores da política fluminense. A pouco mais de um ano das eleições de 2026 e cada vez mais próxima a possível renúncia do governador Cláudio Castro (PL) — prevista para depois do carnaval, quando deve disputar uma vaga no Senado —, o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), passou a articular seu nome para o mandato-tampão no Palácio Guanabara.
Com a saída de Castro, caberá à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) escolher, por meio de eleição indireta, quem comandará o estado até dezembro. De olho nessa disputa, Canella tem feito contatos diretos com ex-colegas da Alerj para tentar viabilizar sua candidatura.
Já lançado como pré-candidato ao governo em 2026, Canella vê na possibilidade de assumir o Executivo estadual ainda em março uma chance estratégica de ganhar visibilidade e força política. Apesar das articulações, ele adota um discurso cauteloso.
“Todo político quer ser governador. Eu já fui vereador, três vezes deputado e tenho quase 90% de aprovação como prefeito da minha cidade. Sou mesmo o mais preparado”, afirmou, sem confirmar oficialmente a candidatura.
A gestão de Márcio Canella à frente da Prefeitura de Belford Roxo tem sido bem avaliada pela população, com altos índices de aprovação, fator que fortalece seu nome no cenário estadual e anima aliados na corrida pelo mandato-tampão.
Disputa promete ser acirrada
Apesar do avanço de Canella, a eleição indireta não deve ser simples. O governador Cláudio Castro trabalha para viabilizar o nome do atual secretário-chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, como seu sucessor temporário.
Já o senador Flávio Bolsonaro (PL) articula dentro do partido para que o cargo fique com um político que possa disputar a reeleição em outubro. Entre os nomes defendidos por ele estão o secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, e policial civil concursado.
Outro cotado é o secretário estadual de Polícia Civil, Felipe Curi, que ganhou projeção à frente de operações de grande impacto na área de segurança pública, como a Operação Torniquete e a ação nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro, que resultou em 122 mortos.
Também aparece na lista o ex-presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, bolsonarista declarado, mas ainda sem experiência em disputas eleitorais.
O prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli, completa o grupo de nomes mais lembrados. Ele ganhou ainda mais destaque após o irmão, Guilherme Delaroli (PL), assumir interinamente a presidência da Alerj, em decorrência da prisão e posterior afastamento de Rodrigo Bacellar (União).
E esses são apenas os principais nomes ventilados dentro do grupo político de Cláudio Castro. Com a aproximação da eleição indireta, a tendência é que outros partidos — inclusive o União Brasil, legenda de Canella, e siglas de oposição — também entrem no jogo, ampliando ainda mais a disputa pelo comando do estado, ainda que de forma temporária.






