Crato inaugura monumento maior que o Cristo Redentor

Na última quinta-feira, 13 de novembro de 2025, o município de Crato, no sertão do Cariri cearense, viveu um momento singular com a inauguração do maior monumento dedicado a Nossa Senhora de Fátima no mundo. Com cerca de 54 metros de altura, a nova escultura supera o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, que tem 38 metros.
Para nós, que convivemos diariamente com a imponência do Cristo abraçando a cidade, é inevitável que essa notícia desperte curiosidade e encanto. O sertão nordestino, tão distante da nossa geografia, tornou-se palco de um acontecimento que uniu fé, arte e história — projetando-se agora como um novo ponto de referência espiritual e cultural no Brasil.

A devoção a Nossa Senhora de Fátima no Crato não nasce com o monumento recém-inaugurado. Suas raízes são profundas. Em 1953, a cidade recebeu pela primeira vez a Imagem Peregrina Mundial de Fátima, vinda de Portugal — uma visita que marcou intensamente a religiosidade local.
Agora, mais de sete décadas depois, a Imagem Peregrina retornou à região entre os dias 10 e 14 de novembro de 2025, percorrendo ruas, acolhendo fiéis e reacendendo a memória daquela primeira passagem. Ali já existia, inclusive, uma antiga imagem dedicada à santa, que por muitos anos serviu como ponto de oração e peregrinação para os moradores do Cariri.

A nova estátua foi esculpida pelo artista pernambucano Ranilson Viana, de Petrolina, inspirado no modelo consagrado pela escultura original de Guilherme Ferreira Thedim, autor da famosa Imagem Peregrina em madeira de cedro. Erguida no alto da paisagem sertaneja, a obra une tradição, técnica e monumentalidade.
A região, que concentra uma das maiores proporções de católicos do país, recebeu o monumento como parte do Jubileu Mariano da Diocese de Crato — reforçando décadas de devoção mariana que moldam a cultura local.

A inauguração reuniu cerca de 40 mil pessoas, segundo estimativas, e mais de 130 caravanas vindas de diferentes estados do Nordeste acompanharam a cerimônia. Esses números revelam o alcance da obra, que rapidamente ultrapassou as fronteiras do Ceará e se tornou um acontecimento de interesse nacional.
Para quem observa aqui do Rio de Janeiro, onde o Cristo Redentor molda nossa paisagem e o imaginário da cidade, o que aconteceu no Crato mostra que símbolos religiosos grandiosos também florescem em lugares menos óbvios — no interior, no sertão, na simplicidade das comunidades que carregam a fé como parte inseparável do cotidiano.

Ainda que nem todos os leitores desta coluna professem a fé católica, o monumento recém-inaugurado convida a uma leitura mais ampla. Ele fala da capacidade humana de expressar beleza, esperança e identidade por meio da arte sacra. Fala de um povo que encontra na devoção um caminho de força e sentido. E mostra como diferentes regiões do Brasil manifestam sua espiritualidade de maneiras diversas, mas igualmente marcantes.
O sertão — tantas vezes associado apenas à seca e à resistência — revela-se também um território de sensibilidade, fé e memória.

A estatura monumental de Maria no alto do Cariri não é apenas uma afirmação religiosa. Pode ser também expressão da busca universal por algo maior, por proteção, por pertencimento. Cada pessoa interpreta esse gesto à sua maneira, e todas essas leituras têm lugar no diálogo que construímos aqui.
Para nós, cariocas, acostumados ao encontro cotidiano com o Cristo Redentor, olhar para o Crato é ampliar horizontes. É lembrar que a fé — entendida em seu sentido mais amplo, como força de vida, transcendência e expressão cultural — reverbera por todo o Brasil, muitas vezes onde menos esperamos.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mais Matérias

Pesquisar...

Acessar o conteúdo