Há pessoas que buscam Deus em templos distantes, em experiências grandiosas, em sinais extraordinários. Mas o Evangelho nos lembra que o Reino de Deus está dentro de nós (Lc 17,21). A verdadeira morada de Deus é o coração humano que se deixa habitar por Ele.
Transformar o coração em morada de Deus é um processo lento e exigente. É preciso desalojar o orgulho, a vaidade, o ressentimento e abrir espaço para o amor. É um trabalho interior de constante purificação. Santa Catarina de Sena dizia que o coração humano é como uma pequena cela onde a alma pode encontrar-se a sós com o Senhor.
Quando Deus habita o coração, tudo muda. As palavras se tornam mais doces, os gestos mais generosos, o olhar mais compassivo. As coisas simples da vida adquirem sentido novo, porque tudo passa a ser vivido com Ele e por Ele. Não há solidão para quem fez do coração uma morada divina.
E mesmo quando a dor bate à porta, o coração habitado por Deus permanece sereno, porque sabe que há um hóspede fiel que nunca parte. Essa é a mais profunda forma de espiritualidade: não buscar Deus fora, mas dentro — onde Ele sempre esperou ser encontrado.






