Na véspera da eleição para o governo fluminense, Anthony Garotinho (Republicanos) afirmou neste sábado (3) que tem a possibilidade de caminhar ao lado de Douglas Ruas (PL) caso haja segundo turno contra Eduardo Paes (PSD). O posicionamento inédito surge como resposta direta à investida jurídica promovida pela coligação de Paes no processo que discute a validade da votação destinada ao ex-governador.
O registro de candidatura de Garotinho foi barrado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), levando a defesa a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na sexta-feira (2), o ministro Floriano de Azevedo Marques estabeleceu que os sufrágios obtidos pelo republicano fiquem sob a categoria de “anulados sub judice”. Com isso, o nome do político permanece na urna eletrônica neste domingo, embora o desfecho dependa ainda de análise do plenário da Corte.
Durante transmissão ao vivo em seu perfil no Instagram, Garotinho colocou a validação de sua chapa como requisito para eventual apoio a Ruas, reforçando que a movimentação ocorre devido ao desgaste com Paes.
“Se validarem meus votos, no segundo turno eu posso até apoiar, contrariado, porque não concordo muito, mas posso até apoiar Ruas, porque essa safadeza toda partiu do Eduardo Paes, lamento dizer isso, mas é verdade”, declarou o ex-chefe do Executivo estadual.
A reclamação do político tem como alvo a petição protocolada pela campanha de Eduardo Paes no TSE, que cobrou celeridade na verificação da situação jurídica de Garotinho para evitar incertezas sobre o pleito e uma eventual etapa suplementar desnecessária caso a anulação ocorresse após a votação. O relator determinou o envio imediato da documentação ao tribunal superior.
Para Garotinho, no entanto, a iniciativa representa uma manobra política conduzida por Paes. Ele alertou que, se a decisão não for revertida, pedirá aos eleitores que mantenham o voto de protesto digitando o número 10.
O peso eleitoral do grupo liderado por Garotinho é considerado estratégico para o desfecho da disputa. O levantamento do Datafolha divulgado em 1º de outubro apontou Paes com 47% dos votos válidos, seguido por Ruas com 35% e Garotinho com 8%, com base em 1.204 entrevistas e margem de erro de três pontos percentuais.
No mesmo sentido, o instituto Paraná Pesquisas indicou Paes com 47,9%, Ruas com 34,4% e o candidato do Republicanos com 9,4% dos válidos, ouvindo 1.600 pessoas entre 29 de setembro e 1º de outubro, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais. Na simulação sem Garotinho, o candidato do PSD atingia 52%, superando a marca necessária para evitar o segundo turno.
A guinada discursiva também alinha Anthony Garotinho ao grupo político do próprio filho, Wladimir Garotinho. Prefeito de Campos dos Goytacazes e filiado ao PL, Wladimir já vinha integrando a base de apoio de Douglas Ruas no interior do estado, ao lado de lideranças como o presidenciável Flávio Bolsonaro.
Enquanto a definição final permanece nas mãos da Justiça Eleitoral, a postura adotada na reta final insere um novo fator de incerteza na configuração das alianças para a disputa pelo governo estadual.






