A Prefeitura de São João de Meriti promoveu, nesta quarta-feira (30), um seminário voltado ao enfrentamento do trabalho infantil e ao fortalecimento das políticas públicas de proteção às crianças e adolescentes. Com o tema “Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil: A Urgência de Desconstruir o Trabalho Invisível”, o encontro reuniu especialistas, representantes da Justiça e profissionais da assistência social no auditório do Centro Cultural Municipal.
Organizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, o evento teve como objetivo ampliar o debate sobre uma realidade que, muitas vezes, permanece invisível por acontecer dentro das casas, nas ruas ou ser confundida com ajuda familiar. Durante o seminário, foram discutidas estratégias para fortalecer a rede de proteção e ampliar as ações de prevenção e combate ao trabalho infantil.
De acordo com um levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social, o município registra casos de trabalho infantil envolvendo crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, reforçando a necessidade de ações integradas para enfrentar o problema.
Além das palestras, o encontro marcou a apresentação oficial dos integrantes do Comitê Intersetorial de Acompanhamento das Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e da Comissão de Monitoramento e Avaliação do Plano Municipal de Medida Socioeducativa, responsáveis por acompanhar e fortalecer as políticas públicas voltadas à proteção da infância.
A secretária municipal de Assistência Social, Roberta Queiroz, destacou que o combate ao trabalho infantil é uma prioridade da gestão e defendeu o fortalecimento da rede de apoio às famílias.
“O trabalho infantil rouba o futuro e o tempo de desenvolvimento que nunca mais volta. Nosso papel vai além do debate. Precisamos construir uma rede capaz de acolher essas crianças e oferecer oportunidades para que permaneçam na escola e tenham um futuro com dignidade”, afirmou.
Uma das palestrantes do seminário, a juíza do Trabalho Joana Guerreiro, gestora do PETI no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), alertou para a necessidade de romper com a normalização do trabalho infantil na sociedade.
Segundo a magistrada, o chamado “trabalho invisível” — realizado dentro de casa, nos semáforos ou em atividades informais — compromete o desenvolvimento de milhares de crianças e adolescentes e só poderá ser combatido por meio da atuação conjunta entre o poder público, a Justiça e a sociedade.
O assistente social Deildo Jacinto também participou do debate e ressaltou que o trabalho infantil contribui para a manutenção do ciclo da pobreza entre famílias em situação de vulnerabilidade.
Para ele, investir em políticas públicas eficazes e fortalecer iniciativas como o PETI representa uma oportunidade de romper esse ciclo e garantir que crianças e adolescentes possam viver plenamente a infância, com acesso à educação, proteção e oportunidades.
O seminário reforçou o compromisso da Prefeitura de São João de Meriti em ampliar as ações de enfrentamento ao trabalho infantil, fortalecendo a integração entre diferentes órgãos públicos e instituições para garantir os direitos de crianças e adolescentes no município.






