A eleição para o Governo do Rio começa a ganhar contornos mais definidos com a oficialização das primeiras pré-candidaturas e a movimentação intensa nos bastidores.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), confirmou que deixará o cargo no próximo dia 20 de março para tentar voltar ao comando do estado. Ele já disputou o Palácio Guanabara em 2018, quando foi derrotado por Wilson Witzel. Agora, terá como vice a advogada Jane Reis (MDB), irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e uma das principais lideranças políticas da Baixada Fluminense.
A aliança com o MDB amplia o arco de apoios de Paes, que vai do PT — alinhado ao presidente Lula — até setores historicamente ligados ao bolsonarismo na Baixada. A escolha da vice é vista como movimento estratégico para fortalecer presença em uma região considerada decisiva nas eleições estaduais.
Do outro lado, o PL confirmou o deputado federal Douglas Ruas como pré-candidato ao governo. O anúncio foi feito pelo senador Flávio Bolsonaro, e a chapa terá como vice o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP).
Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, Ruas tem 37 anos, é policial civil e foi eleito em 2022 como um dos deputados mais votados do estado. Licenciado da Alerj, comanda atualmente a Secretaria de Estado das Cidades, pasta responsável por cerca de R$ 2,1 bilhões em investimentos em 20 municípios, segundo o Portal da Transparência.
Nos bastidores, a disputa também passa por um possível mandato-tampão. Caso o governador decida disputar o Senado, a Assembleia Legislativa poderá eleger indiretamente um governador para comandar o estado até o fim do ano — movimento que pode influenciar diretamente o cenário eleitoral.
Outros partidos ainda avaliam candidaturas próprias. O PSOL discute nomes como o vereador William Siri. No Novo, o psiquiatra e influenciador Ítalo Marsili é citado como possível candidato. Já o Democracia Cristã avalia o nome do prefeito de Magé, Renato Cozzolino, enquanto Wilson Witzel afirma buscar espaço político, apesar da inelegibilidade decorrente do impeachment.
Com alianças costuradas, apoios estratégicos na Baixada e articulações envolvendo o comando temporário do estado, a disputa pelo Palácio Guanabara começa a se consolidar como um dos principais embates políticos do Rio.






