Uma força-tarefa da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou, nesta segunda-feira (23), a Operação Caminhos do Cobre para desmontar uma organização criminosa especializada em furto de cabos, receptação e lavagem de dinheiro. O grupo, segundo as investigações, movimentou R$ 417.954.201 em um esquema que se espalhava por quatro estados.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. Em território fluminense, a ofensiva ocorreu na capital e nos municípios de Nilópolis, Mesquita e Itaguaí.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), que apontou a existência de uma estrutura criminosa dividida em três frentes: a execução dos furtos, a revenda do material e a engenharia financeira para ocultar a origem ilícita dos recursos.
“O furto de cabos não é pequeno delito. Afeta serviços públicos, prejudica trabalhadores e compromete a rotina da cidade. O enfrentamento será permanente e vai atingir o núcleo financeiro dessas organizações”, afirmou o governador Cláudio Castro.
De acordo com a investigação, os furtos aconteciam principalmente durante a madrugada. Caminhões eram utilizados para arrancar cabos subterrâneos, enquanto motocicletas atuavam como batedores, monitorando a movimentação policial e, em alguns casos, fechando vias para facilitar a ação criminosa.
Após a retirada, o material era encaminhado para pontos de apoio, onde passava por fracionamento antes de ser vendido a ferros-velhos e empresas de reciclagem ligadas ao grupo.
Na etapa seguinte, entrava em cena a lavagem de dinheiro. A quadrilha utilizava notas fiscais ideologicamente falsas para simular transações regulares. Em seguida, os valores eram pulverizados em diversas transferências bancárias, estratégia usada para dificultar o rastreamento pelos órgãos de controle.
Um dos principais investigados teria movimentado sozinho cerca de R$ 97 milhões, quantia considerada incompatível com sua renda declarada. Já uma das empresas apontadas como peça-chave no esquema registrou movimentação superior a R$ 90 milhões.
Além das buscas, a DRF solicitou à Justiça a apreensão de veículos e imóveis, além do bloqueio integral dos ativos financeiros vinculados aos investigados. A meta é desarticular a engrenagem financeira da organização e recuperar parte do patrimônio obtido com a atividade ilícita.
A operação integra uma ofensiva mais ampla contra o furto de cabos e materiais metálicos. Desde setembro de 2024, a Polícia Civil realizou mais de 430 fiscalizações em ferros-velhos, resultando em aproximadamente 200 prisões de responsáveis por estabelecimentos. No mesmo período, cerca de 300 toneladas de fios de cobre e outros metais foram apreendidas, e houve pedido de bloqueio de aproximadamente R$ 240 milhões.
O governo estadual sustenta que a estratégia é atuar em toda a cadeia do crime — do executor do furto aos receptadores e empresas que sustentam o mercado clandestino — para reduzir um tipo de delito que impacta diretamente energia, telefonia, transporte e serviços essenciais.






