Malafaia rompe com Paes após desfile pró-Lula na Sapucaí e encerra “pacto” político

O que parecia uma parceria consolidada no cenário político carioca sofreu uma reviravolta. O pastor Silas Malafaia anunciou o fim da aliança com o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), após a repercussão do desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A presença de Paes ao lado de Lula no Sambódromo foi o estopim para o rompimento. Segundo o líder religioso, o gesto simbolizou uma escolha política incompatível com seus posicionamentos. Ele declarou publicamente que está encerrado o acordo informal de “não-agressão” que mantinha com o prefeito nas últimas disputas eleitorais municipais.

Desfile amplia tensão política

A crise ganhou força após a apresentação de uma ala que ironizava grupos identificados como neoconservadores. Fantasiados como latas de conserva, integrantes exibiam rótulos com a imagem de uma família tradicional. A proposta artística, segundo a escola, era fazer uma crítica social. Para setores evangélicos e conservadores, no entanto, o quadro foi interpretado como provocação.

A reação se espalhou rapidamente pelas redes sociais. Políticos ligados à direita passaram a publicar fotos com suas famílias, em defesa dos valores que dizem representar. Entre eles, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que questionou seguidores sobre a importância de “proteger e educar os filhos”.

O rompimento chama atenção porque, até pouco tempo atrás, Malafaia e Paes demonstravam proximidade. Em momentos delicados envolvendo o pastor, o prefeito chegou a sair em sua defesa de forma enfática, reforçando a amizade de cerca de 20 anos.

Essa relação foi determinante nas eleições municipais de 2020 e 2024, quando Malafaia apoiou Paes contra adversários como Marcelo Crivella e Alexandre Ramagem. Agora, o cenário é outro.

Sem Paes em seu campo de apoio, o pastor já indicou preferência por alternativas na direita fluminense. Ele citou o secretário estadual de Cidades e deputado licenciado Douglas Ruas (PL) e o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, como possíveis nomes para receber seu respaldo na disputa pelo governo do estado.

Aliado histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro, Malafaia segue como voz influente no campo conservador e também tem dialogado com lideranças nacionais, como o governador paulista Tarcísio de Freitas.

O rompimento adiciona tensão ao cenário pré-eleitoral no Rio e evidencia como o Carnaval deste ano ultrapassou os limites culturais para impactar diretamente as articulações políticas no estado.

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