Os bastidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) já estão em plena movimentação para a eleição indireta que vai definir o sucessor do governador Cláudio Castro (PL). A votação deve ocorrer em menos de três meses, prazo em que Castro pretende deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado.
O PL saiu na frente ao fechar um bloco com a Federação União Progressista. Juntas, as legendas somam 33 dos 70 deputados estaduais, ficando a apenas três votos da maioria simples necessária para eleger o novo governador. Sozinho, o partido da família Bolsonaro conta com 18 parlamentares, enquanto a federação reúne 15 cadeiras — 10 do União Brasil e cinco do PP.
Do outro lado, o campo de oposição tenta se reorganizar em torno de uma possível candidatura do ex-presidente da Alerj, André Ceciliano (PT). Aliados do governo Lula veem na hipótese de Ceciliano assumir um mandato-tampão uma oportunidade de fortalecer o palanque petista no estado, embora o nome defendido oficialmente pelo presidente para a eleição de outubro seja, até agora, o do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD). Quem vencer a eleição indireta comandará o Palácio Guanabara até dezembro.
Dentro do PL, o nome que ganha força para a eleição indireta é o do deputado estadual licenciado e atual secretário de Estado das Cidades, Douglas Ruas. A indicação ainda não foi formalizada, mas Ruas é o preferido do presidente estadual do partido, Altineu Côrtes, e do senador Flávio Bolsonaro.
O governador Cláudio Castro chegou a apostar no secretário-chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, mas a possibilidade vem perdendo força nos últimos dias, apesar do peso político do cargo e da influência direta do governador.
Nos bastidores, já é dado como certo que Douglas Ruas será o candidato do PL ao governo do estado nas eleições diretas de outubro. A estratégia da cúpula do partido é clara: garantir a eleição indireta agora e consolidar o nome para a disputa nas urnas ainda este ano.
Em ano eleitoral, o poder dos dirigentes partidários tende a pesar ainda mais. No bloco formado por PL e União Progressista — que reúne nomes como Altineu Côrtes, Antonio Rueda, Márcio Canella e Dr. Luizinho — a orientação é fechar questão.
Deputados que desobedecerem à decisão partidária na eleição indireta podem enfrentar retaliações duras, como perda de recursos de campanha, redução de tempo de televisão ou até dificuldades para manter a legenda na disputa pela reeleição. Com esse cenário, a tendência é de uma votação altamente controlada e marcada pela força das cúpulas partidárias.


