A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu, em meio a um clima de forte tensão, revogar a prisão do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar. A medida será publicada no Diário Oficial e seguirá para o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que deverá definir as condições para a soltura.
A votação ocorreu em um plenário tomado por discussões acaloradas entre aliados e opositores do deputado. O clima esquentou a ponto de a segurança da Alerj precisar intervir para impedir que o bate-boca evoluísse para confronto físico.
A prisão preventiva de Bacellar foi decretada sob a acusação de vazamento de informações sobre uma operação da Polícia Federal que culminou na prisão do ex-deputado TH Joias, investigado por tráfico internacional de drogas.
Deputados próximos a Bacellar partiram em sua defesa e questionaram a consistência das denúncias. Alexandre Knoploch (PL) classificou o caso como “grave” e criticou o fato de o presidente da Alerj não ter sido ouvido pela Polícia Federal. Ele também rebateu acusações de ligação entre Bacellar e TH Joias.
A deputada Índia Armelau (PL) também subiu o tom e afirmou que muitos dos que agora criticam Bacellar já estiveram ao seu lado. Para ela, a mudança de postura é reflexo de conveniências políticas.
Três deputados de cada lado foram autorizados a discursar antes da votação. Entre os que pediram a continuidade da prisão esteve Flávio Serafini (PSOL), que classificou os elementos da investigação como “gravíssimos” e defendeu a medida como forma de proteção ao processo contra o crime organizado no estado.
Carlos Minc (PSB), que já havia divergido na CCJ, reforçou que não se trata de condenação, mas de garantir a integridade da investigação. Para ele, o afastamento temporário é necessário diante da influência política exercida pelo presidente da Casa.
Mesmo entre partidos aliados, houve divergências. O deputado Rosenverg Reis (MDB), adversário político declarado de Bacellar, fez questão de abrir a votação defendendo a manutenção da prisão.
Resultado da votação
- Sim (pela revogação da prisão): 42 votos
- Não: 21 votos
- Abstenções: 2
- Ausências: 3
- Licenciado: 1
A decisão agora aguarda a análise do ministro Alexandre de Moraes, que definirá as condições para que Bacellar deixe a prisão cautelar.


