Passageiros se jogam de ônibus em movimento para escapar de assalto na Zona Norte do Rio

Na manhã desta quinta-feira (3), uma cena de pânico tomou conta de um ônibus da linha 232 (Lins x Castelo), que trafegava pela Zona Norte do Rio de Janeiro. Quatro passageiros, em um ato desesperado, se jogaram do veículo em movimento durante uma tentativa de assalto, no Viaduto dos Fuzileiros, já na altura da Cidade Nova.

O assalto aconteceu por volta das 6h15, enquanto o ônibus seguia em direção ao seu destino. De acordo com relatos dos passageiros, dois criminosos entraram no coletivo, um deles armado com uma pistola, e anunciaram o assalto na Praça da Bandeira. O assaltante armado rendeu o motorista, enquanto o comparsa começou a recolher os pertences dos passageiros.

Em meio à violência e ameaças, um dos passageiros se recusou a entregar seus objetos e foi agredido. A tensão tomou conta do coletivo, e, em um momento de desespero, quatro pessoas conseguiram forçar a porta de trás do ônibus e saltaram do veículo, caindo na pista do viaduto. O Corpo de Bombeiros foi acionado e socorreu as vítimas, que foram levadas ao Hospital Municipal Souza Aguiar. Alguns dos feridos apresentaram fraturas expostas e estão em estado grave.

O momento de pânico foi descrito por passageiros como “horrível”. Muitos estavam a caminho do trabalho, quando foram surpreendidos pela violência. O motorista, ainda sob ameaça, seguiu até as imediações da Prefeitura do Rio e, em busca de ajuda, se aproximou de uma viatura da polícia que estava parada no local. No entanto, antes que a polícia pudesse agir, os criminosos desceram e fugiram. A PM fez buscas pela região, mas não conseguiu capturar os assaltantes.

Indignação com a falta de segurança

Uma das vítimas, uma cozinheira de 56 anos, contou que fazia o trajeto diariamente e que nunca imaginou passar por uma situação como essa. Ela estava em tratamento de saúde e decidiu pegar um ônibus mais vazio para evitar aglomeração. “Foi difícil, triste. Foi a primeira vez que aconteceu isso comigo”, contou, explicando que, ao ouvir os criminosos rendendo o motorista, ela tentou manter a calma, mas teve sua bolsa roubada, com documentos, a receita médica e até sua marmita.

“Eu me sinto órfã da segurança no Rio. A gente se sente abandonada, sozinha”, desabafou a vítima, destacando a sensação de impotência diante da falta de segurança. As vítimas que não ficaram feridas foram encaminhadas à 18ª DP (Praça da Bandeira) para prestar depoimentos.

Repercussão e apelos por mais segurança

O caso gerou indignação e chamou a atenção para a crescente insegurança nos transportes públicos da cidade. Em nota, a Rio Ônibus, entidade que representa as empresas de ônibus do Rio, repudiou o incidente e lamentou a frequência dos assaltos aos coletivos. “A insegurança a qual a população está submetida não pode ser mera estatística. Reiteramos a necessidade de que providências efetivas sejam tomadas pelas autoridades a fim de garantir o direito de ir e vir do cidadão”, declarou o sindicato.

A violência nos transportes públicos do Rio de Janeiro continua a ser um grave problema, com passageiros cada vez mais expostos ao risco de assaltos e outras ameaças dentro dos ônibus. A falta de uma resposta eficaz por parte das autoridades tem gerado um clima de medo e revolta entre os usuários do sistema de transporte público.

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