Outro dia, vi uma mãe sentada no banco da praça. O olhar perdido, as mãos inquietas, como quem segura o mundo inteiro sem saber onde descansar. Do lado dela, um menino balançava o corpo para frente e para trás, repetindo baixinho um trecho de alguma música que só ele parecia ouvir.
Aquela cena ficou comigo. Porque a gente fala muito sobre o autismo – no dia 2 de abril, então, os discursos brotam como flor na primavera. Mas e essas mães? Esses pais que seguram firme a barra, mesmo quando ninguém vê?
Por aqui, eles sabem o peso do cansaço. Sabem o que é correr de um lado para o outro atrás de atendimento, de terapias, de direitos que deveriam ser básicos, mas que, na prática, ainda são luxo.
Mas também sabem o que é esperança. E esperança, meu amigo, é coisa poderosa. Há quem diga que tempos melhores estão chegando: uma Clínica Escola do Autista, formação para os tutores e profissionais, projetos saindo do papel, gente disposta a fazer diferente. Tem vereadores com vontade de mudar o jogo. Tem família que não desiste, porque desistir nunca foi opção.
Desde 2017, eu me esforço para entender, aprender, construir. Porque não é só lutar pelos os autistas– é sobre aqueles que, todos os dias, lutam por elas.
E essa mãe da praça? Aposto que amanhã ela vai acordar, preparar o café, vestir o sorriso e seguir. Porque amor de mãe é força bruta. Mas força nenhuma aguenta sozinha para sempre.
Então, que essa tal esperança vire realidade. Que Magé olhe com carinho para essas famílias. Porque inclusão não é caridade – é compromisso.
E o futuro, a gente constrói no presente.
João Victor Carvalhaes Fraga
João Victor Família