CONHEÇA A “BARRAGEM BOM JARDIM”, QUE FICA ACIMA DE MIRAÍ E MURIAÉ

Nossa reportagem chegou à Barragem de Bom Jardim, da empresa BAUMINAS (que fica a 50 Km de Muriaé e 20 Km da cidade de Miraí), no meio da manhã de quinta-feira (31) e foi recebida pelos engenheiros, Alfredo Mucci Daniel, consultor técnico da empresa BAUMINAS Mineração, Sílvio de Jesus, gerente industrial da BAUMINAS Mineração, ele é engenheiro de produção; o Fernando supervisor da barragem, o qual faz o trabalho diário, Villani, supervisor da Mina e Cláudio da Universidade Federal de Viçosa, que é engenheiro civil e consultor responsável pelos laudos de estabilidade da barragem. O fato de ele ser da Universidade Federal de Viçosa é porque a Bauminas optou por trabalhar com a instituição devido ao respeito e credibilidade da mesma.

Na chegada fomos até a área administrativa que fica acima da barragem, bem como o restaurante e a área onde é feito o beneficiamento (trituração, lavagem e peneiramento da bauxita). Dali o produto, que é a matéria prima para a fabricação do sulfato de alumínio, usado para tratamento de água pelas maiores empresas do ramo em todo o país, como a Copasa, Sedae, o Demsur em Muriaé e outras empresas. A matéria prima sai triturada e é transportada para Cataguases, onde passa por outro processo que o deixa fino como talco, pois é moído a 100 mesh. Em seguida chega às suas fábricas em todo o país, as quais produzem o sulfato de alumínio para tratamento de água.

Em um veículo da empresa, acompanhado dos engenheiros, circulamos todo o grande lago onde ficam depositados rejeitos da bauxita e a água usada também para a lavagem do minério, que depois retorna para o mesmo lugar, num sistema chamado de Circuito Fechado. A empresa utiliza um processo diferente, a lama não fica depositada para sempre no lago, vai formando diques, vai secando e a terra sendo retirada e levada de volta à Mina para recompor o relevo dos locais minerados. Segundo os engenheiros, este processo aumenta em até 30 anos a vida útil do depósito (lago) e ainda aumenta a segurança, pode controlar o nível da água mais baixo, é menos peso, e aumenta a área de amortecimento do projeto. O lago tem capacidade para 1,5 milhão de metros cúbicos de rejeitos de bauxita. A coluna de água faz a decantação das partículas.

A BARRAGEM: segundo os engenheiros, a barragem é feita de terra compactada com filtro horizontal e vertical, sendo que a montante do filtro vertical existe uma cortina de calda de cimento com objetivo de diminuir a percolação de água por dentro do maciço. Ela conta ainda com o reforço de um vertedouro superdimensionado, medindo 3,5 de altura x 6 de largura. “Ele nunca foi usado nestes 10 anos” disse o engenheiro Alfredo Mucci, porque a empresa optou manter o nível mais baixo pelo ECM (Estrutura de Controle de Nível).

Esta barragem tem 23 metros de altura por 65 metros de comprimento e a área de bacia de capitação de água é de 7 Km2. Tem capacidade para 1,5 milhão de metros cúbicos de rejeitos. A barragem possui 13 piezômetros, que é um equipamento para medir pressões estáticas ou a compressibilidade dos líquidos. Usam-se em furos que servem para monitoramento de níveis da água nos aquíferos, e este trabalho de supervisão é feito por um funcionário da BAUMINAS todos os dias.

Nenhuma anomalia pode ser registrada, caso sim, a empresa começa de imediato a tomar as providências. Foi informado que qualquer alteração na barragem inicia-se os procedimentos de segurança: ALERTA – ATENÇÃO – EMERGÊNCIA, neste último caso, há esvaziamento da área da mineração, sirenes num raio de 10 Km soam, autoridades são avisadas de imediato, como Defesa Civil das cidades e outras áreas ligadas a este tipo de situação.

Quanto às vistorias, são feitas as inspeções diárias internas; e externas são entregues relatórios duas vezes por ano, em março e setembro, aos órgãos federais e estaduais, além da visitação duas vezes ao ano dos mesmos.
“É uma barragem de pequeno porte, altura pequena, mas considerada de grande risco devido ao alto potencial de dano ambiental caso se rompe, pois abaixo está morando pessoas, há comunidades, por isso entrou no Plano Nacional de Barragens, que se refere à segurança de barragem. Quinzenalmente, é apresentado através do site do sistema dos órgãos, os relatórios de fiscalização feita por Fernando na barragem, como o comportamento e limpeza dos taludes no seu entorno, nível da água se está normal, etc.”

Estes são dados foram coletados por nossa reportagem na hora da visita, e como há muitos dados técnicos, não é possível passar ou mesmo compreender tantos detalhes. A visita não teve como objetivo formar opinião, afirmar se é ou não segura, pois tal função fica sob a responsabilidade das autoridades, que tem o dever de fazer uma rígida fiscalização nesta e nas dezenas de barragens espalhadas pelo estado de Minas Gerais. O objetivo principal é trazer o registro fotográfico e de vídeo para que nossos internautas possam conhecer a Barragem Bom Jardim, que fica também na região de Miraí e Muriaé.

ASSOCIAÇÃO É FORMADA POR MORADORES DO BOM JARDIM PARA TER ACESSO E ACOMPANHAR A FISCALIZAÇÃO NA BARRAGEM

Durante nossa visita à Barragem de Bom Jardim, encontramos com o casal, Luiz Eduardo Almeida de Resende e Flávia Loures de Deus de Resende, da Fazenda SoBrasil que fica 3 Km abaixo da Barragem Bom Jardim da Mineradora BAUMINAS. O objetivo do casal era visitar, ter acesso e anunciar a criação da Associação dos Moradores do Bom Jardim. “Criamos a Associação e viemos ver de perto o trabalho de fiscalização da barragem, se inteirar melhor e ver os interesses da população, melhorias para a comunidade e estar sempre em contato com a mineradora. A ideia de criar a Associação surgiu mediante a tragédia que ocorreu em Brumadinho, o que nos trouxe muita preocupação com relação às barragens. A empresa se colocou a disposição aqui”, disse o casal.

Por http://silvanalves.com.br/portal

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