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Rodoviários do BRT do Rio entram em greve; estações lotam, e nenhum articulado está circulando

Funcionários do BRT do Rio de Janeiro entraram em greve na madrugada desta sexta-feira (25). Os rodoviários pedem melhores condições de trabalho, mais segurança e reajuste nos salários. A prefeitura afirma que a greve é ilegal, e o prefeito Eduardo Paes (PSD) diz que o movimento é obra de empresários.

Diversas estações do sistema nem sequer abriram. Passageiros relataram que, às 6h, nenhum ônibus articulado estava passando. As linhas regulares, fora do BRT, estão circulando normalmente.

Em nota, o Sindicato dos Rodoviários do Rio afirma que cerca de 480 motoristas que trabalham nos três corredores do BRT cruzaram os braços. Eles reivindicam um novo contrato que inclua direitos como férias, pagamento de horas extras, além da contratação dos funcionários afastados pelo INSS, entre outras medidas.

Apenas o corredor Transoeste operava parcialmente — a Prefeitura do Rio montou um plano de contingência e conseguiu manter em operação apenas a linha Santa Cruz-Alvorada, mas operada por ônibus comuns. Transcarioca e Transolímpica estão paralisados”, destacou a prefeitura.

O Centro de Operações informou que a cidade entrou em Estágio de Mobilização às 6h45 por causa dos problemas na mobilidade. Este é o segundo nível de uma escala que vai até cinco — e normalmente é alterada quando há temporais.

Às 7h, a cidade do Rio de Janeiro registrava um engarrafamento maior que o habitual, com 56 quilômetros de engarrafamento. Nas últimas três sextas-feiras, a média do trânsito parado no horário era de 49 quilômetros.

O Metrô Rio informa que, por conta da paralisação no sistema BRT, houve reforço do efetivo de agentes de segurança e de operadores para orientar os passageiros nas estações impactadas.

Na estação Jardim Oceânico, os passageiros são orientados a usar o acesso A (Lagoa) ou o acesso B ( Mar). O acesso C ( BRT) está fechado temporariamente.

Perrengue para os passageiros

O Rio tem três corredores do BRT, compostos por faixas exclusivas e veículos próprios, com paradas semelhantes às do metrô, onde o passageiro paga a tarifa e passa pela roleta antes de embarcar.

Sem o BRT, no entanto, muitos usuários precisam pegar até três conduções para fazer o mesmo trajeto. Como os ônibus regulares não podem trafegar pelas pistas exclusivas, a viagem pega o trânsito do rush da manhã.

“Chegamos aqui e o rapaz disse que estão em greve. Tem ônibus nenhum. Eu não vou trabalhar desse jeito. Saí de casa eram três da manha. Eu vou pegar uma van e vou embora para casa”, disse uma passageira em Madureira.

Também em Madureira, Ângela buscava condução para Curicica, onde trabalha. “Vou tentar uma alternativa. Não tem ônibus direto, só uns quatro ou cinco para chegar lá. A gente sai de manhã e é pego de surpresa. No dia a dia já é difícil, o BRT é lotado, e hoje nem tem”, reclamou.

Grandes terminais, como Madureira, na Zona Norte, e Mato Alto, na Zona Oeste, registravam longas filas.

Prefeitura: ‘Greve é ilegal’

Na semana passada, a Prefeitura do Rio assumiu de vez a operação do sistema, após uma intervenção de um ano. Uma nova concessão será feita.

Em nota, a prefeitura disse que não recebeu qualquer comunicado sobre a intenção dessa paralisação ou a pauta de reivindicações.

“Trata-se de uma greve ilegal. Sem qualquer tipo de aviso prévio, os motoristas do sistema BRT entraram em greve. A Prefeitura do Rio, por meio da empresa MOBI-Rio, orienta à população que procure outra alternativa de transporte público para se locomover”, afirmou.

Ainda segundo a prefeitura, a Presidente da MOBI-Rio, Cláudia Seccin, tentou, “sem sucesso”, iniciar uma negociação com os grevistas. “Mas eles se negaram a conversar.”

Paes culpa empresários

Nas redes sociais, Eduardo Paes afirmou que a greve foi imposta pelas viações que compunham o consórcio cujo concessão foi caducada.

“Tem empresário de ônibus insatisfeito com a encampação e usando trabalhadores do BRT para tentar reconquistar a concessão. Lamento informar que não serão bem sucedidos. Vamos prosseguir. Estamos trabalhando para restabelecer o sistema”, escreveu. 

Motoristas pedem melhores condições

Por meio de uma nota divulgada pelo Sindicato dos Rodoviários, os motoristas afirmam que a paralisação acontecerá por tempo indeterminado e que cerca de 480 profissionais cruzaram os braços nos três corredores do sistema.

Os trabalhadores pedem que seja realizado um novo contrato que garanta todos os direitos dos funcionários, incluindo férias, 40% do FGTS em caso de demissão, auxílio-desemprego, reajuste salarial, ticket alimentação, plano de saúde, pagamento de horas extras, além da contratação de funcionários que estão afastados pelo INSS.

“Não dá mais para continuar trabalhando com as condições atuais. São ônibus quebrados diariamente, falta de segurança nas plataformas e dentro dos próprios articulados, além de todas as calhas em que circulam os ônibus totalmente esburacadas”, afirmou Ademir Francisco, representante do sindicato junto aos motoristas do BRT.

No entanto, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a paralisação acontece por uma iniciativa dos motoristas, que a entidade foi pega de surpresa e que tomaram conhecimento por meio das redes sociais.

“Já procuramos a prefeitura, as negociações estão em aberto. E o restante da pauta colocada aí já está praticamente negociada. O sindicato jamais convocaria uma greve sentado na mesa, resolvendo os problemas com a Mobi-Rio. Só esta semana, tivemos três rodadas de negociações e 80% da pauta já foi solucionada”, afirmou Sebastião José.

Rio Ônibus acusa prefeitura de omissão

O Rio Ônibus, sindicato das empresas de ônibus, afirmou que a greve é consequência do descaso e omissão da Prefeitura do Rio em relação ao transporte rodoviário na cidade.

Sobre a acusação feita por Eduardo Paes de que a greve foi imposta pelas viações que compunham o consórcio cujo concessão foi caducada, o Rio Ônibus repudiou o posicionamento do prefeito e afirmou que “a paralisação é uma das consequências do que a inércia e a falta de governança do poder público são capazes de fazer, deixando milhares de passageiros sem ônibus”.

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