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Postos do Rio não separam filas para vacina e para testes, e cariocas relatam medo de contaminação

Na correria pelos testes, o que deveria ser parte da solução da pandemia preocupa quem vai se vacinar. A desorganização e a mistura entre as filas em algumas unidades de saúde do Rio acabam expondo pessoas ao risco.

No Centro Municipal Athayde José da Fonseca, em Bangu, na Zona Oeste, quem ia se vacinar ou fazer o teste de Covid ficava bem próximo.

“Aqui fora tem fila de testagem. A fila gigante. Todo mundo perto um do outro. Um absurdo. Três horas na fila e uma fila totalmente aglomerada e sem distanciamento social”, disse uma pessoa que aguardava atendimento.

Na terça-feira (11), a desordem no Centro Municipal de Saúde Jorge Saldanha Bandeira de Mello, na Taquara, na Zona Oeste, irritou um guarda municipal.

“Eu preciso que vocês façam uma fila normal, tirem essa aglomeração daqui, para que eles possam fazer o trabalho deles de maneira mais adequada e eficiente”.

O guarda tentava organizar quem procurava tomar vacina e aqueles que precisavam dos testes de Covid.

“Deixa eu terminar de falar, gente. Deixa eu terminar de falar. Calma aí”.

A desorganização começou ainda pela manhã. Antes de os portões abrirem, centenas de pessoas esperavam do lado de fora — para testar e para se vacinar.

Filas misturadas

A ciência já comprovou que a variante ômicron é muito mais transmissível, mas as filas misturadas podem ser uma armadilha para quem procura ajuda e encontra um ambiente ideal para a contaminação.

“A organização dos sistemas de saúde, dos serviços de saúde, deve privilegiar a funcionalidade e a segurança tanto do profissional da saúde quanto daqueles que vão usufruir do sistema. Evitar aglomerações, ter filas separadas para doentes que vão ser testados e para aqueles saudáveis que vão ser vacinados, por exemplo. Tudo isso faz parte de uma rotina”, diz o infectologista Renato Kfouri.

A rotina, até agora, é de problemas em várias unidades de saúde.

A professora Priscila Gomes, que tomou a dose de reforço na segunda-feira (10) no Posto Álvaro Ramos, em Jacarepaguá, disse que teve contato com várias pessoas doentes.

“Eu fiquei duas horas aguardando pra tomar a vacina e, nesse período, várias pessoas chegaram doentes, passando mal, pedindo pra realizar o teste de Covid, todas próximas a nós. Todo mundo aglomerado. Quando chegava a nossa vez, pra tomar a vacina, dentro do posto de saúde a gente se deparava também com pessoas doentes, dentro de um local fechado, correndo um risco maior ainda”.

Na manhã desta quinta-feira (13), o RJ1 esteve na Zona Norte e encontrou a situação mais calma.

Em Vila Isabel, no Centro Municipal de Saúde Maria Augusta Estrella, as filas estavam separadas e com distanciamento.

“Na fila não tem jeito? Não tem jeito. Fiquem separados. Fiquem separados. Não tem alternativa. E quem ainda não se vacinou se vacine. E quem anda com a máscara por aqui, por aqui, ou por aqui (protegendo a tireóide) se lembre que se deve usar a máscara não só pra se proteger, mas em respeito ao outro”, falou o professor e infectologista da UFEJ, Celso Barros.

O que dizem os envolvidos

 

Secretaria Municipal de Saúde informou que a testagem e a vacinação são feitas em lugares diferentes dentro das unidades e que os profissionais organizam as filas e orientam as pessoas. E que o tempo de atendimento varia de acordo com o local.

Guarda Municipal explicou que atua nos postos de vacinação e testagem pra orientar a população e proporcionar um ambiente seguro. Disse ainda que a ajuda de todos é fundamental.

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