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Pesquisadores encontram anticorpos contra a Covid-19 em cervos nos Estados Unidos

Mais de um terço dos cervos do noroeste dos Estados Unidos podem ter sido infectados pelo Sars-CoV-2. Cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Vida Selvagem testaram 385 amostras de sangue de animais selvagens e encontraram os anticorpos em 152 delas. O artigo foi submetido à Nature e está disponível em forma de preprint, mas ainda não foi revisado por outros cientistas.

A coleta de sangue dos animais era uma atividade rotineira de vigilância de vida selvagem, feita entre janeiro e março de 2021. Como os anticorpos são produzidos em resposta à infecção, é provável que os cervos tenham entrado em contato com o vírus em algum momento da pandemia. Nenhum deles apresentava sintomas ou parecia estar doente.

A pesquisa analisou o cervo-de-cauda-branca (white-tailed deer), uma espécie que apresenta manchas brancas nas costas, como no desenho Bambi. Um experimento feito no início de 2021 já mostrava que esse cervo pode contrair o Sars-CoV-2. Ele produz uma proteína, chamada ACE2, que é semelhante à humana. Essa é a porta de entrada que o coronavírus usa para entrar nas células.

Agora falta saber como os cervos se infectaram. Foram analisados animais de Michigan, Pensilvânia, Illinois e Nova York, mas a espécie pode ser encontrada em todo o território americano. Ela é comum em campos de golfe e perto de centros urbanos.

Não se sabe se os cervos pegaram o vírus diretamente de humanos, de outros animais ou mesmo por meio de contato com esgoto contaminado. Como os cervos vivem em pequenos grupos, é provável que o vírus tenha se espalhado entre os indivíduos da própria espécie.

Mesmo que o coronavírus não cause a Covid em cervos, eles são uma fonte de preocupação, pois a propagação do vírus nesses animais pode levar a mutações – que, eventualmente, poderiam ser transmitidas de volta para humanos e ameaçar a eficácia das vacinas.

Já há casos de infecção pelo Sars-CoV-2 em visons, tigres, leões, leopardos, gorilas, gatos e cães domésticos. Os autores do novo artigo ressaltam a importância de fazer uma vigilância não só em populações de cervos, mas também de seus predadores e outras espécies que convivem com esses animais.

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