Contra a violência, Queimados quer câmeras, carros e programa segurança presente

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Com sete agências bancárias, 149 mil habitantes e um distrito industrial que reúne 31 empresas, o município de Queimados, na Baixada Fluminense, ainda vive sob o domínio do medo. Em 2016, a cidade acompanhou uma guerra de facções rivais que disputavam vários bairros. Por conta do histórico de confrontos e tiroteios, o município foi apontado, naquele ano, como a mais violento do país pelo Atlas da Violência. Três anos depois, os índices de criminalidade diminuíram (queda de 29% no número de homicídios em 2018), mas não o suficiente para tranquilizar os moradores da cidade.

Há ainda regiões que sofrem forte influência do tráfico, como o Morro São Simão e Morro da Torre, no Centro, e a atuação da milícia em parte do bairro Inconfidência. Para tentar aumentar a sensação de segurança no município, o prefeito Carlos Vilela agendou um encontro, nesta terça-feira, às 10h, com o secretário estadual de Governo, Gutemberg da Fonseca.

Em pauta, pedidos de carros para os PMs contratados pelo município, através do Programa estadual de Segurança Pública (Proeis), câmeras para um centro de monitoramento e mais homens para o 24º BPM (Queimados). A unidade é responsável pelo policiamento no município e nas cidades de Japeri, Paracambi, Seropédica e Itaguaí. Além disso, Carlos Vilela pedirá ao governo do estado a implantação do programa Segurança Presente em Queimados.

— Vamos tratar deste assunto com o secretário Gutemberg. O Segurança Presente ajudaria muito. O 24ºBPM tem cerca de 500 homens para cuidar de uma área enorme, com cinco municípios. Atualmente, temos poucos homens da nossa Guarda Municipal e 20 policiais contratados pelo Proeis, além do policiamento do batalhão. Isso é pouco — diz o prefeito.

Segundo Carlos Vilela, o município conta com quatro carros, que foram alugados pela prefeitura, para que os policiais contratados reforcem o policiamento no Centro. A ideia é aumentar o raio de ação do reforço do Proeis.

— Vamos pedir que o governo estadual nos ajude com pelo menos três carros. Daria mais mobilidade aos policiais. Assim poderiam patrulhar o Centro e outras áreas — acrescenta Vilela.

Além do prefeito, também participarão do encontro o secretário de Segurança Pública, Elias José da Cruz, e o deputado estadual Max Lemos, ex-prefeito de Queimados.

— A sensação de segurança em Queimados é péssima. Tem que melhorar. Conheço um monte de gente que foi assaltada no Centro. Eu não faço entregas à noite em alguns locais. Principalmente, no São Simão. É muito perigoso — diz um comerciário de 40 anos, que, com medo, pediu para não ser identificado.

Para moradores, é preciso mais policiais nas ruas para inibir os assaltos.

— Deu uma pequena melhorada, mas é preciso mais. Antigamente, a gente andava na rua a qualquer hora. Atualmente, não dá para fazer isso. O risco de assalto é grande — afirma o aposentado Adilson da Silva, de 63 anos.

A Prefeitura de Queimados quer implantar120 câmeras na cidade. Já existe até um local para o funcionamento do futuro centro de monitoramento, que será implantado onde ficava a antiga sede da 55ª DP(Queimados), na Rua Augusto Nuguet, no Centro. Para o sonho sair do papel, no entanto, o Executivo municipal precisa que o governo estadual forneça as câmeras ou o dinheiro para a compra do material.

— O prédio só precisa de pintura. Computadores e manutenção ficariam por nossa conta. Atualmente, não temos câmeras de vigilância na cidade. As únicas quatro que tínhamos estão danificadas e não funcionam — diz o prefeito.

Comandante do 24ºBPM, o tenente-coronel Ranulfo Brandão disse que usa estatísticas criminais para planejar o policiamento. A tática fez com que crimes como o roubo em ônibus despencassem. Foram 103 registros deste tipo, nos 11 primeiros meses de 2017, contra 54 registrados no mesmo período em 2018. Uma queda de 47%. Já o roubo de veículos caiu 6% no mesmo período.

Apesar dos números, o oficial reconhece que os índices de criminalidade têm que diminuir mais para aumentar a sensação de segurança. Segundo Brandão, a polícia já sabe que a quadrilha que controla o tráfico no Morro São Simão também é responsável pela maior parte dos assaltos no Centro.

— Temos feito operações planejadas em algumas comunidades, incluindo o São Simão. Também temos parceria com a 55ª DP. Sabemos que bandidos do São Simão têm realizado assaltos. Um dos nossos alvos é o traficante Piranha. Ele é o chefe do tráfico no São Simão e também atua no Morro do Castelar, em Belford Roxo — diz Ranulfo Brandão.

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